Bruna S.

São tantos momentos, de pequenos e insignificantes a marcantes e até mesmo traumáticos. Mas existem dois que realmente carrego e relembro em cada pequeno caso de sexismo. O primeiro foi quando tinha 15 anos. Estava trocando de roupa em meu quarto, quando ao olhar para a janela, que estava fechada, havia um homem se masturbando olhando desesperado para mim. Sai gritando pela minha mãe, assustada. Chamamos a polícia, mas não o encontraram. Este mesmo homem já tinha histórico de atacar mulheres que praticavam caminhada na rodovia próxima a minha casa. Foi uma sensação de nojo muito grande, como se o meu corpo estivesse sendo usado, tocado, apertado… O segundo, em verdade, não é só um fato, mas uma condição. Tenho costume de pegar caronas para viajar pelo interior de meu estado. E foi justamente pegando carona que cheguei a conclusão inegável de que sim, o machismo existe. Passei por situações de total insegurança, onde fui agarrada e tive que enfrentar o dono do veículo, fazendo parar. Já tive que aguentar inúmeras buzinas e xingamentos. E o mais interessante, é que em todas as situações, se fosse um homem, não fariam.