Laleska

Uma vez um homem parou na rua e começou a comentar em voz alta sobre o tamanho da minha bunda. Não consegui fazer nada além de ignorá-lo veemente, continuando a ver o que tinha na vitrine. Não sei dizer o que me deixou mais chocada, ele fazer isso ou ninguém se importar com aquela humilhação que eu passava no meio de uma rua movimentada.

Susie

Growing up in Brazil, I had to deal with sexism from a very early age. When I was approximately seven years old, living in a small town, I was stopped by a man on my way to school who asked me if my mum had a ‘cunt’. I experienced sexism on the streets everyday. From an old guy grabbing my breast in public, to direct stares at my breasts and other private parts accompanied by also unwanted comments. I just wanted to walk down the street normally, instead I felt violated often. I felt powerless, there was nothing I could do to stop them. The times I got angry, they dismissed it and used it against me. I questioned whether it was my own fault somehow, although I didn’t dress up with short skirts or revealing tops. I couldn’t understand why these men didn’t feel ashamed to bother me in this way. But they didn’t, it was like they had a green light to go ahead and be like this, because ‘men are like that’. Every day sexism is not ok. I’m afraid though that in the last 20 years the rap and pop music industry continuously make harassment and rape look cool. I even sing it myself, as if it made me feel stronger. The truth is that it gave permission for young guy to harass young women as a manner of good taste. Also governments don’t treat rape seriously enough. We live in a very sexist society still, be it in Brazil or the UK or elsewhere in the world. Victims of sexism, abuse, have to endure, or kill themselves when justice doesn’t protect them, like with Anne-Marie Ellement. Somehow the 21rst century looks quite primitive. Hope it will change soon.

Stefany Christine Puia Juns

Hoje, graças a Jah, não me aconteceu nada, mas quero relatar minha revolta… Sinto uma raiva constante, de todas as maneiras de opressão que eu sofro, bem como todas sofrem, não entendo pq não podemos ser tratadas como iguais, o que mais me entristece é ver mulheres sendo reforço pro machismo, pra opressão que elas mesmas sofrem, nenhuma de nós está imune, desunidas, não podemos lutar contra quem nos diminui, agride, oprime, devemos nos amar, primeiramente, e nos unir, para que nossa luta seja mais forte que os mecanismos opressores.

SDS

Os meus relatos são vários, nenhum mais especial que o outro, mas todos muitos traumáticos. O que me irrita não são os incidentes por que já passei, mas sim o medo constante e a insegurança de andar na rua. Quando fiz 12 anos comecei a andar de ônibus sozinha e a primeira dica que todos me deram foi como me vestir, cena que vi se repetir com a minha irmã mais nova, mas até hoje paro e penso: por que tenho que mudar a forma como me visto para que não sofra com assédio? É como se a culpa fosse nossa!

R. Morais

Quando estava noiva queria um vestido sob medida. Marquei um horário com uma estilista em uma loja luxuosa. Ela me recebeu bem e a primeira pergunta que fez quando sentamos para falar sobre o vestido foi: “E aí? Quantos quilos você planeja perder até o seu casamento?”

I.

Estávamos comentando sobre violência doméstica em família e minha avó disse que “toda mulher tem que ficar quieta quando o homem está bêbado, se não apanha”.

Mulher1

Ser mulher é uma luta diária. Ando na rua e não me sinto em paz, parece que a rua é dos homens. Não existe um momento se quer em que me sinto à vontade nos espaços sociais. Sempre me sinto ameaçada. Lembro bem de como isso começou. Quando tinha 10 anos, tinha recém menstruado e meu corpo começara a mudar, levei a minha primeira “cantada” na rua: feita por um homem mais velho, vizinho do bairro. Ele disse: “ques peitinhos gostosos, tá linda heim”. Tudo que eu fiz foi correr. Chegará um dia em que poderemos andar na rua sem medo de estupro ou palavras nojentas. Continuemos na luta.

Bruna S.

São tantos momentos, de pequenos e insignificantes a marcantes e até mesmo traumáticos. Mas existem dois que realmente carrego e relembro em cada pequeno caso de sexismo. O primeiro foi quando tinha 15 anos. Estava trocando de roupa em meu quarto, quando ao olhar para a janela, que estava fechada, havia um homem se masturbando olhando desesperado para mim. Sai gritando pela minha mãe, assustada. Chamamos a polícia, mas não o encontraram. Este mesmo homem já tinha histórico de atacar mulheres que praticavam caminhada na rodovia próxima a minha casa. Foi uma sensação de nojo muito grande, como se o meu corpo estivesse sendo usado, tocado, apertado… O segundo, em verdade, não é só um fato, mas uma condição. Tenho costume de pegar caronas para viajar pelo interior de meu estado. E foi justamente pegando carona que cheguei a conclusão inegável de que sim, o machismo existe. Passei por situações de total insegurança, onde fui agarrada e tive que enfrentar o dono do veículo, fazendo parar. Já tive que aguentar inúmeras buzinas e xingamentos. E o mais interessante, é que em todas as situações, se fosse um homem, não fariam.

M.

Tenho 18 anos e me envolvi com um rapaz de 29. Sempre o respeitei e ele sempre soube de minha postura feminista, portanto eu nunca imaginei o que aconteceria entre nós. Costumávamos ir até o apartamento dele para ver filmes e acabávamos transando sempre. Eu estava de viagem marcada nesse dia e ficaria um mês fora, então ele me chamou para “se despedir”. Nos encontramos e transamos, mas no meio do ato, ele se retirou e voltou, vi um flash atrás de mim… Pensei no pior, pedi pra parar “você está me filmando!” quando peguei o celular dele estava com a câmera ativada. Pedi pra ele parar, ele deu mil desculpas esfarrapadas, disse que era só pra ele, que não ia mostrar pra ninguém, que iria perguntar se podia porque estava “procurando o ângulo certo” na hora em que percebi tudo. Fiquei revoltada… Ele falou “Não sei por que está tão brava, eu não ia mostrar seu rosto é só um corpo”. Me levantei e disse “É o MEU CORPO!”. Ele me levou pra casa e tive que escutar coisas horríveis, como se eu devesse me sentir agradecida por ele querer me filmar, que aquilo era um elogio e que se por ventura ele tivesse gravado e perdido o celular, o problema seria meu se alguém me reconhecesse pela minha bunda e que aquilo era uma “objetificação boa” do meu corpo. Não discuti, mas permaneci irredutível. Nunca mais nos falamos.

nome

Uma moça da vizinhança saiu de casa porque o marido estava batendo nela. Ao ouvir a notícia, contada pela mãe da moça, minha avó fez a seguinte pergunta: “mas ela fazia as coisas em casa direitinho?”