L
rua movimentadíssima, um cara e uma mulher se esbarram e ele começa a xingar ela de vadia, puta e vagabunda. Quinta-feira.

O projeto Everyday Sexism foi criado para catalogar situações sexistas vividas pelas mulheres diariamente. Desde situações graves, extremamente ofensivas até aquelas que são tão corriqueiras e intrínsecas em nossa cultura que você pode achar desnecessário protestar. O relato pode ser curto ou longo, fale o quanto você quiser, use seu nome ou um pseudônimo . Ao contar sua história você está mostrando para o mundo que sexismo existe sim, que é vivenciado por mulheres todos os dias e é sim um problema para ser colocado em pauta. Fique à vontade para escrever em português ou inglês, ambos idiomas são aceitos.
Você também pode mandar um email para laura@everydaysexism.com e eu colocarei seu relato no site. Siga-nos no twitter (e faça seu relato por lá também) no perfil @EverydaySexism.
rua movimentadíssima, um cara e uma mulher se esbarram e ele começa a xingar ela de vadia, puta e vagabunda. Quinta-feira.
Tenho 20 anos, e devido à minha baixa estatura (meço apenas 145cm) não sofro de situações sexistas diariamente. No entanto, houveram algumas situações ao longo dos anos, começando quando eu tinha cerca de 16 anos. Nessa altura, eu parecia uma menina de apenas 12 anos, o que torna a situação que aconteceu ainda mais grave: fui abordada por um grupo de 2 carteiros na minha volta para casa da escola, que me impediram o caminho e fizeram várias perguntas (como eu me chamava, quantos anos tinha, onde vivia, coisas desse género). Senti-me em pânico. Lá me deixaram ir, mas eu tive medo de andar sozinha no meu bairro durante as 2 semanas seguintes. Outras duas situações foram uns anos mais tarde, eu com 18 anos, e no autocarro um senhor começou a falar comigo, a dizer que eu era muito bonita e a perguntar quantos anos eu tinha (disse que tinha 15 na esperança que alguém no autocarro interviesse. Tal não aconteceu)… Fiquei extremamente nervosa e assustada e tentei sair logo na paragem seguinte, mas infelizmente o homem também se levantou e pôs o seu braço à minha volta “para eu não cair com a travagem do autocarro”. Receei seriamente que ele me iria seguir quando saíssemos do veículo, mas por alguma razão isso não aconteceu, com sorte. Mesmo assim, evitei andar de autocarro nos tempos seguintes. Na outra situação estava eu com a minha mãe a jantar num cinema quando se sentam dois homens na mesa em frente à nossa e… um deles começa a olhar fixamente para mim. E não parou, já passavam 5 minutos. Era um olhar que reconheci de outros homens, um olhar lascivo e nojento. Disse à minha mãe do meu desconforto mas ela ignorou-me. E ele não parou de olhar-me, nem quando eu também olhava para ele… Senti-me muito desconfortável pela atenção que não queria e sem apoio para me proteger.
Desde os meus 11/12 anos que os homens se começaram a meter comigo, a assobiar e mandar piropos nojentos. Ao longo dos anos isso foi continuando, e sinceramente ninguem se importa com isso, a cerca de um mês, estava na paragem de autocarro com a minha melhor amiga e um homem com cerca de 25 anos parou o carro à nossa frente abriu a porta a perguntar se queriamos entrar. Muitas vezes quando tenho de ir de taxi para casa depois da escola, e agora com o calor uso calçoes, e ja disse à minha mae que quando estou assim vestida preferia que ela me viesse buscar, ela disse para nao ficar muito incomodada, os homens irão sempre meter-se comigo por ter os aspeto que tenho