A

Sempre tive ancas largas e um rabo grande de latina, e isso sempre me deu problemas, na primária levantavam-me as saias, no preparatório quando estava de costas apalpavam-me e fugiam e isso continuou até eu me começar a defender e a lutar com eles, mesmo assim para alguns só aumentou o desafio. Agora que sou uma jovem adulta, já fui perseguida e apalpada até esmurraçar o homem que depois me pediu desculpa mas me culpou das suas acções porque “sou bonita”. Em concertos e festivais de música é certo e sabido que sou apalpada por algum espertalhão no meio da confusão, no metro se não me encostar a um canto e se estiver muito cheio e acham que não são apanhados, o mesmo acontece. Piropos na rua e ouvir falar do meu rabo também é comum. Estou farta de ter de lidar com isto, ainda no outro dia no autocarro sentei-me numa zona alta que é de colocar as malas porque ninguém a utiliza e o autocarro estava cheio, um homem encostou-se e pos a mão numa das minhas pernas, só a retirou porque lhe dei um pequeno pontapé. Já fui abusada quando bebada por um rapaz que dizia “gostar” de mim, mas depois ainda me disse que nunca teria nada comigo porque me tinha tido quando bebada, ainda assim, ainda hoje me persegue nas redes sociais e se gaba de me ter tido. Porque eu sou a puta por ter estado bebada, e ele não é culpado pela sociedade pelo que fez, apesar de ele estar sóbrio e portanto não se devia ter aproveitado da situação. Mas para todos é “boys will be boys”. Isto para não falar de que quando estou a discutir com alguém e já não tem argumentos é sempre “volta para a cozinha”, “o que é que uma menina como tu sabe da vida?”, “mostra mas é as mamas”, etc. Tudo porque como sou uma mulher jovem isso me faz para eles uma burrinha e inferior que só serve para ser objectificada, sexualizada e os servir.

GM

I’m brasilian and was living in Portugal. Used to take the same bus everyday, with the same people. One day, one of the old guys who used to take the bus with us sat beside me and started talking to me. Suddenly he tried to kiss me and asked me how much would it cost to sleep with me. I pushed him away and went to talk to te driver. The driver it was my own fault for talking. I left the bus without any help from anyone and all the strangers continued talking as if nothing ever happened.

A

Algo que quase é costume (infelizmente) por acontecer tantas vezes, que discuto muito com colegas e amigos/as. A primeira vez que utilizei uma saia na grande capital fui abordada por 3 homens, numa questão de 100/200 metros. Pensei que prontos teria de parar de vestir saias (quando nem me deveria preocupar com isto), mas mesmo saindo com roupas largas e calças de fato-treino tive homens que se mantêm calados à nossa frente e assim que passam ao lado ou mandam beijos nojentos ou comentários indecentes. Se respondo de volta ficam atordoados e tentam mandar-me “enfiar”. Se tenho o azar de ter uma patroa simpatizante os homens têm melhores revisões e são mais facilmente promovidos. Mas se tenho um patrão simpatizante tenho de o ouvir comentar sobre mim, as minhas colegas e como deveriamos interagir umas com as outras. Uma amiga apalpada em plena luz do dia e até sem eu me aperceber, eu queria voltar atrás para retaliar mas ela não me deixou. Outras já me contaram que o mesmo lhes sucedeu. Uma mulher mais velha que eu a descer escadas e passa um velho na diracção contrária que lhe faz comentários obscenos ao ouvido. Em plena praça, ao meio dia, um homem sugeriu a uma amiga minha “lamber-lhe a rata”. À noite tenho receio de andar sozinha.

Anon

Como é que é possível haver homens que achem que uma mulher se sente atraída por coisas como “olá gata” “bom dia boneca” “comia te”, aposto que qualquer mulher já ouviu isto na rua de um homem que provavelmente já é pai ou até mesmo avô, pergunto me como é que se sentiram se fossem as suas filhas ou netas a serem assediadas!

Anon

Já vivenciei inúmeras situacões. Lendo os relatos e recordando o que já vivi, percebi, infelizmente, que os abusos foram inúmeros. Quando eu tinha uns 15 anos, estava passeando de bicicleta com uma amiga. Logo percebi que tinha um homem nos seguindo. Era difícil conseguir chegar em casa, pois para isso tínhamos que atravessar uma avenida movimentada. E eu estava tão apavorada que pensava que ao reduzir a velocidade para chegar a avenida, ele nos alcançaria. Depois de muita perseguição, resolvemos que não havia saída. Fomos pra avenida. As pessoas do ponto de ônibus estavam estranhando a situação, eu vi nos rostos, mas ninguém fez nada. Mas, depois de uma hora de perseguição conseguimos chegar na minha casa. Quando chegamos, ele ainda falou um monte de coisas nojentas e depois foi embora. Meu pai foi reclamar com a segurança do bairro e apenas ouviu: Ele só quer fazer amizade, já perseguiu outras meninas também. Acabou por isso mesmo. Mas eu nunca mais andei de bicicleta. E após o ocorrido, senti dores musculares horríveis por causa do intenso desgaste físico. Já deixei de fazer inúmeras atividades, pois detesto as abordagens a que somos constantemente submetidas nas ruas, me sinto invadida, violada. Afinal, eu não permiti sussuros no meu ouvido, olhadas, buzinas, gritos. Eu só quero andar na rua. Sempre atravesso a rua, quando percebo alguém na direção oposta me secando. Desvio de obras e qualquer aglomeração de homens. Mas nem sempre é suficiente. Quando era bem nova, devia ter uns 12 anos, na saída da escola, um grupo de garotos de outro colégio, apertou/passou a mão na minha bunda. Eu não soube o que fazer, não reagi. Não contei a ninguém, mas me senti muito mal, afinal eu não permiti que tocassem na minha bunda. Hoje, mais velha, às vezes revido essas “cantadas” na rua. Na maioria das vezes com um cala a boca ou idiota. Mas é sempre por impulso, pois tenho medo, por conta de amigas que já foram insultadas ao reagir. O mais triste de tudo é que apesar de ter uma mãe controladora e super protetora, sofri abusos dentro do âmbito familiar. E ela nem imagina. Não contei e não pretendo. Fui abusada por um primo, mais velho do que eu. Nem sei como tudo começou, apenas lembro que ele dizia que ele era o pai e eu a mãe. Ele fazia isso com outras primas também – hoje, crescidas jamais tocamos no assunto. Mas o fato é que fomos abusadas, eu e mais duas, e não contamos a ninguém da família. Ele também quis “brincar” com a minha irmã e eu não deixei. Ou seja, eu sabia que aquilo era ruim, que aquilo me fazia mal, mas não conseguia reagir, principalmente porque me sentia muito culpada. Eu não tinha mais que 8 anos. E sempre que voltava de viagem da cidade desse primo, a situação ocorrida me atormentava. Mesmo nova eu já compreendia o funcionamento da nossa sociedade, pensava em contar pra minha mãe, mas temia ser repreendida e acusada. Optei pelo silêncio. E passei a me recusar a participar das brincadeiras. A partir daí, ele e outro primo que passavam parte do verão na minha casa, começaram, agora os dois, a passar a mão em mim, quando não havia ninguém olhando. Mão na bunda, mão nos peitos. Tudo que eu conseguia fazer era fugir deles e fazia isso sempre que podia. Eles também colocavam os órgãos pra fora quando eu passava por eles. Eu me sentia mal, muito mal. Estava sendo violada, abusada, coagida dentro da minha própria casa. E não reagia, tinha medo. Tinha medo do julgamento e de que me culpassem por ter permitido o abuso, anteriormente. O pai desse primo que iniciou os abusos, é o único filho homem da minha avó, que sempre passou a mão na cabeça dele. E todas as irmãs morrem de medo dele, pois é agressivo, violento. E era isso que eu temia, que todo mundo se calasse, passasse a mão na cabeça do filho dele e me culpasse – isso seria exatamente o tipo de coisa que meu tio faria. E as irmãs dele, minha avó e todo resto se calariam, como sempre fizeram. Aliás, esse tio engravidou uma moça que trabalhava na casa da minha vó, quando ela tinha 15 anos e ele já um homem (e casado). Assim que a moça ficou grávida, minha vó a demitiu. Me embrulha o estômago essa história. Como uma mulher demite outra mulher porque a mesma engravidou? Enfim, minha vó mandou embora da casa dela o próprio neto, sem saber. A moça saia com outros rapazes, então de inicio, ela nunca imputou a paternidade ao meu tio. Mas após alguns anos, ela retornou dizendo que o filho era dele. Obviamente, como todo machista calhorda, ele negou a paternidade e xingou a moça. Minha vó passou a mão na cabeça. A moça mandou uma carta pra minha mãe pedindo ajuda. Minha mãe não se meteu. Hoje se arrepende. Enquanto ele não sente o menor remorso pelo que fez, afinal “ela era só uma vagabunda”, eu e minha mãe choramos ao conversar sobre essa história e imaginar o sofrimento dessa mulher e do filho. A moça se chama Julia e procurou minha familia quando o filho era criança. O filho, ao atingir a maioridade, entrou na Justiça para obter o reconhecimento. Exame de DNA feito, paternidade confirmada. O que o tio fez? Nada. Nenhuma assistência material, psicológica, afinal ele era vítima de uma piranha vagabunda, não é mesmo? Depois disso e após algum tempo, a esposa desse tio queria muito que o escândalo estourasse na cidade (a cidade deles é pequena) e ligou para o menino dizendo que minha vó queria conhecê-lo (era mentira, minha vó também o rejeitava) Ele foi, pegou a moto e subiu a serra. Não sei onde ele morava, mas era distante da cidade do meu tio. Subiu a serra e sofreu um acidente. Sim, um acidente. Já não bastasse o tanto de desgraça, esse moço, que só queria encontrar o pai e ser por ele reconhecido, perdeu o movimento das pernas. É uma história tão pesada que não consigo nem pensar em mais nada. Mas é isso, ao que me parece o machismo pode fazer alguém até perder o movimento das pernas. E se meu tio o ajudou ou se compadeceu depois disso? Logicamente que não. Permanece impávido e com a certeza de que nada a deve a alguém que é sangue do seu sangue.

Vera Calado

O relato que eu vou fazer aconteceu há bastantes anos, mas eu consigo lembrar-me dele como se tivesse sido ontem. Agora tenho 21 anos, na altura tinha 18/17. Eu e uma amiga estávamos perto do liceu, num terreno meio abandonado, rodeado por umas velhas placas de metal, com apenas duas entradas. Estávamos na hora de almoço, e decidimos ir apanhar flores, porque uma amiga fazia anos, era uma espécie de pequena surpresa para ela. Estávamos distraídas, quando a minha amiga me dá um toque no braço. Olhei para ela e ela estava estupefacta a olhar para a entrada. Quando olhei vi um homem há entrada a olhar e a sorrir para nós. Com uma mão acenava, e com a outra masturbava-se. Tinha o pénis de fora das calças. Nós ficámos sem reacção, ignorámos o homem e continuámos a apanhar flores. Mas estávamos tensas, nervosas e com medo, pois não sabíamos como saír daquela situação. Começamos a falar uma com a outra baixinho, mas sem dar muito a entender ao homem. E foi então que reparámos que havia uma outra saída mais pequena, então corremos e saímos dali. Fomos para o liceu, partilhámos a nossa história com os nossos amigos. Acabámos por nos rir da situação. Mas o sorriso do homem nunca me saiu da cabeça. Sentimentos como o nojo estão ligados a esta história. Enfim, esta é o meu relato. Esta é a história que mais mexeu comigo, mas ainda teria outros relatos para fazer. Eu acredito que são poucas as mulheres que nunca passaram por este tipo de situações. Obrigado por este site! As Mulheres têm de se unir. Porque o mundo ainda é muuuuito machista. FORÇA PARA TODAS NÓS!

Raquel

1. Chegar aos 12 anos e ficar perplexa e sem perceber o motivo pelo qual homens que me eram estranhos, de repente falavam para mim na rua. Pensando inclusive na 1ª vez, que poderia ser alguém que conhecesse um dos meus pais ou a mim até olhar para a sua cara e ver que não. Aliás, no início nem estava a perceber que se dirigiam a mim porque se não os conhecia, não compreendia porque falavam para mim se nunca antes o tinham feito. Quando cheguei a casa contei muito admirada à minha mãe e disse-lhe que achava mal e que não tinham qualquer direito de o fazer, até porque eu não percebia o porquê de o fazerem em primeiro lugar. Eu sentia-me e sinto-me a mesma pessoa de sempre. 2. Estar a conversar com uma amiga descontraidamente e ter um estranho a fazer barulho ou a dizer algo completamente despropositado pela “diversão” de assustar ou incomodar, mostrando completo desrespeito pela liberdade de duas pessoas estarem calmamente a passar um bom momento. 3. Ir na rua descontraída a aproveitar um belo dia de sol, ou de chuva, e de repente ouvir um comentário sobre a minha aparência. 4. Ser seguida até ao prédio porque um estranho me achava “gira”, escapando com algum à vontade mas ficando nervosa por sair à rua descontraidamente durante algum tempo. 5. Ter uma pessoa próxima, também mulher, ser perseguida no metro ao ponto de ter que chamar alguém e ser finalmente liberta da situação perigosa em que se encontrava e que ainda hoje a afecta. 6. Ser sempre incomodada se o grupo com quem que estiver for constituído apenas por raparigas. 7. Não vestir sempre o que me apetece se souber que tenho que ir sozinha a algum sítio longe de casa ou de uma zona mais confortável. 8. Aos 16 anos ter passado o ano inteiro sem mergulhar na água do mar, mesmo estando na praia, só porque sentia que podia ter alguma gordura a mais. Outras passaram mais tempo assim. 9. Ir na rua com familiares, mãe ou avós, e ser incomodada por “piropos”, que “inofensivos” (nunca o são) ou não, são sempre incómodos e uma completa falta de respeito para com as pessoas presentes além de mim própria (o que por si só já é péssimo). 10. Evitar passar em certos sítios onde estão grupos de rapazes ou homens a observar quem passa para não ter que ouvir comentários indesejados relativamente ao que só a mim diz respeito. 11. Ter grandes e estimadas amigas chamadas de nomes que não deveriam ser aplicados a mulher alguma só porque tiveram muitos namorados ou gostam de se vestir como querem. 12. Mulheres da família exigirem de nós que aprendamos a cozinhar ou a limpar por sermos “raparigas”, o que levou a uma óbvia recusa pelo que não voltaram a insistir. Mas o receber este tipo de comentário e na nossa própria casa é horrível. 13. Podia passar anos a enumerar situações e nem assim as conseguiria pôr todas aqui. Quando se chega à adolescência, percebe-se que o mundo se torna desconfortável e que não temos a liberdade que gostaríamos ou a que estávamos habituadas. Temos que pelo menos lutar mais por ela e é triste sentir-mo-nos ameaçadas ou assediadas só por termos um sexo diferente entre as nossas coxas, como se isso fizesse alguma diferença.

Isabel

Here are a few of my sad experiences. Firstly everytime I go to a concert someone always gropes me, once, a middle aged man actually kept following me and kept trying to grope me after I moved away and glared at him because he had managed to grope me once. Another time I was in the underground and it was packed and I felt something touch my ass, I thought it might have been this lady going through her purse with her elbow at first, but when I looked for like the third time, I saw a man’s hand quickly retreating. I didn’t say a thing, just moved away because I was about to leave. There was also one time a man groped my ass on the stairs in the underground, I glared, walked away fast, but he followed me and tried to grab me and grope my breasts, I punched him, he said “sorry, you’re just too beautiful”. The worst part was that the place was full of people and not a single one warned me I was being followed by a strange older man. Then there was this once I was sitting waiting for my family near the underground entrance/exit and a man started looking at me and put his hand inside his pants and started masturbating. There was also this guy I liked, that raped me when I was drunk at his birthday party, he was sober. The next day he said he’d never date me because I had been drunk and it gave a bad image of me. Obviously this did not stop him from raping me the night before, just didn’t make me relationship material because I had thrown up and passed out at his party. And don’t even get me started on all the cat calls men feel entitled to make at me. Then people wonder why I have social anxiety that almost became agoraphobia (for about 2 years I was barely able to leave my house) and why I have to take pills to be able to go out to classes and to have a “normal” life.

Sara

Tinha 16 anos, acabava de sair em direcção á casa da minha prima que era uns 3kms de distância. Vou a meio caminho quando um homem numa carrinha me chamou e pergunta direcções, explico uma e explico duas, três vezes até que reparo que ele tem o seu pénis de fora e se estava a masturbar. Nisto ele sorri e pergunta “Nunca viu uma pila antes?”, sempre fui uma pessoa com algum humor e a resposta saiu por si “Nunca uma tão pequena”, independentemente de ter sido a primeira vez a ver tal ao vivo. Continuo em frente e ele continua a seguir-me e a perguntar se não quero entrar, felizmente a rua é movimentada mas, mesmo assim, uma carrinha de caixa fechada deixa sempre algum receio. Respondo em um tom mais alto e o ameaço que mais uma palavra tirava a matricula e chamava a policia. Tive de voltar voltar para trás para casa de um amigo que morava lá perto pois tive medo que ele continuasse visto a ameaça não ter servido de muito. Até hoje me arrependo de não ter tirado a matricula e fazer queixa, nem que fosse para evitar que o fizesse a outra pessoa.

Bela

Por todo o lado em Portugal há imensos homens que pensam que fazer comentários sexuais a mulheres é aceitável. Quando eu tinha vinte anos aconteceu um episódio nojento. Eu caminhava no passeio e um homem velho (deveria ter os seus sessenta anos) caminhava no mesmo passeio na direção oposta. Quando passou por mim aproximou a cara dele do meu ouvido e disse baixinho “lambia-te a cona toda” e continuou como se nada fosse. Eu nada fiz, continuei e lembro-me de me sentir envergonhada. Gostava de saber de que modo outras mulheres reagem a estas coisas. Olhando para trás penso que o deveria ter envergonhado na rua mas não sei bem o que diria! Ainda hoje me sinto num papel pateta de não querer parecer mal educada quando estou a ser desrespeitada por um estranho! A minha mãe sempre contou histórias de homens que apalpavam meninas nos transportes públicos. A intenção dela era de me alertar. Mas os alertas apenas me condicionaram a aceitar que estas coisas acontecem e quando aconteceu eu aceitei. Quem me dera que as mulheres partilhassem histórias de como lutaram contra estes abusos.