M.

Hoje tenho mais de trinta… mas na altura teria entre 13 e 16 anos e andava de autocarro todos os dias para ir para a escola. Muitas vezes o autocarro ia com excesso de passageiros, as pessoas coladas umas as outras. Uma dessas vezes um homem apalpou-me descaradamente durante algum tempo. Se fosse hoje eu defender-me-ia de imediato mas na altura fiquei sem reação e sem perceber o que realmente se estava a passar. Para o tal homem essa falta reação significou talvez que eu estava gostar pois quem cala consente. Mas a verdade é que era muito ingénua e de uma família muito conservadora. Hoje tenho um filho e espero conseguir alerta-lo para essas situações. Vivi outros episódios de assédio na infância,noutros contextos, e isso deixa marcas. Nunca fui capaz de contar a ninguém.